Entrelinhas #18 - The Corinthian spirit

CADERNO DE IDEIAS

George Lucas Casagrande

Uma série boba, padrão Netflix, mas que nos dá um gostinho de como foram os primórdios do futebol. The English Game nos mostra que, antes de se tornar o esporte mais popular do mundo, o futebol era visto como um poderoso instrumento de formação humana.

Valores como honra, respeito ao adversário, autocontrole, disciplina e espírito coletivo davam o tom dos jogos, inicialmente praticados pela aristocracia britânica. Esses princípios ficaram conhecidos como o Corinthian Spirit e inspiraram diversos clubes ao redor do mundo. Entre eles, não preciso nem dizer qual.

Mais do que contar a origem desse esporte universal, The English Game nos lembra que competir não é sinônimo de vencer a qualquer custo. Aristocratas e operários nos mostram que há algo muito mais valioso na prática do futebol: aprender a respeitar as regras, reconhecer o mérito do adversário e compreender que não existe vitória sem dignidade.

Quase dois séculos se passaram, e o futebol virou tudo e mais um pouco, como podemos testemunhar. Porém, se pensarmos em seu âmago, chegamos a mesma conclusão de Piero Trellini, em seu Anatomia do Sarriá: Brasil x Itália:

"O futebol é uma metáfora que simplifica os conceitos que estruturam nossa existência: justiça, razão, instinto, compaixão, astúcia, gratidão, moralidade. São abstrações que se tornam palpáveis ao longo de uma partida, revelando uma ordem profunda que regula a vida e, ao tornar temas como a glória, a coragem e a hostilidade tão épicos, nos permite vivenciá-los de forma única."