Entrelinhas #17 - Uma cidade abarrotada de livros

CADERNO DE IDEIAS

George Lucas Casagrande

7/29/20261 min read

Recentemente, a tradicional Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) me fez lembrar de um texto de João Pereira Coutinho que fala de uma cidade dos sonhos para os aficionados por livros, e que serviu de inspiração para o festival brasileiro. Estou falando de Hay-on-Wye, no País de Gales, uma pequena cidade que guarda uma história incrível e muito curiosa.

Tudo começou quando Richard Booth, responsável por transformar Hay-on-Wye em um fenômeno literário, comprou o castelo da cidade e decidiu dar uma nova vida ao lugar. Ao mesmo tempo, passou a importar milhares e milhares de livros para abastecer sua livraria. O problema é que não havia estantes suficientes para acomodar tantos exemplares. O resultado? Richard teve uma ideia inusitada: colocou os livros nos jardins do castelo. A população, claro, não perdeu tempo e levou um monte para casa.

Mas os livros continuavam chegando. Todos liam, reliam, emprestavam aos parentes, que também liam e reliam. Aos poucos, a cidade foi ficando tomada por livros. O resultado é que muitas casas acabaram se transformando em sebos improvisados. Em todo lugar, encontram-se livros dos mais variados tipos. E, quando já não cabem nas estantes, eles ficam nos jardins, nas ruas, em frente ao castelo e até pelo caminho, quase convidando os visitantes a tropeçarem neles. A cidade da literatura. A cidade dos sonhos.

Hoje, Hay-on-Wye cresceu e se organizou. Existem sebos para todos os gostos. Existem livros para todos os leitores. Em suma, Hay-on-Wye leva a alcunha de "cidade dos livros" de forma mais do que justa. E foi assim, a partir dessa inspiração nada comum, que a editora inglesa Liz Calder, da Bloomsbury, idealizou a Festa Literária Internacional de Paraty. Você gostaria de morar em uma cidade assim?