Caderno de Ideias #15 - Machado de Assis, direto da fonte
CADERNO DE IDEIAS
George Lucas Casagrande
9/4/20261 min read
Os clássicos são lidos, relidos e reinventados. Por isso são chamados de clássicos. Tratam de temas atemporais que atravessam gerações, culturas, línguas e costumes. E a aliança com o progresso tecnológico moderno pode ser frutífera se os envolvidos tiverem talento e genialidade.
E é exatamente o que Joel Coen faz em sua versão de Macbeth, A Tragédia de Macbeth. É uma verdadeira obra-prima do cinema. É um daqueles filmes que precisam ser vistos e revistos, com muita atenção aos detalhes.
O negrume que paira sobre toda a tragédia está fielmente representado no filme, de modo implacável, assim como a sensação de agitação e tormenta. Há uma impressão de uma noite densa e infinita, que às vezes é interrompida por trevas e luzes, em um clima terrivelmente gélido. No filme, as bruxas inspiram não só um pavor sobrenatural, mas náuseas e perturbação. Uma contribuição fantástica para o universo shakespeariano.
“A noite esteve terrível. Onde estávamos deitados, nossas chaminés foram derrubadas pelo vento; e dizem que ouviram lamentos pelo ar, estranhos gritos de morte, vozes que profetizavam, grandes comoções e confusos acontecimentos que iam eclodir nestes dias de desgraça. A ave das trevas gemeu toda a noite. Alguns dizem que a terra estava com febre e tremia.”
E, para efeito de comparação, podemos lembrar do Macbeth de Roman Polanski. Ele não utilizou os tons de cinza de Coen, mas a paleta do seu filme é uma verdadeira obra de arte.
Shakespeare dá muito pano pra manga.




